sábado, 27 de julho de 2013

Dose de loucura.

Você se aproximou de mim e partiu pelo mesmo motivo. Isso é um pouco contraditório, não acha? Sempre falou bem da minha loucura, disse que fazia bem ao ser humano uma ou duas doses de mim a cada doze horas mas agora você se foi por esse motivo. Disse que já não aguentava mais o jeito como eu levo a minha vida, as minhas músicas, a hora que eu acordo, as comidas que eu como, as futilidades que eu compro e até do meu nu artístico. Disse que não aguentava mais o cheiro de cigarro que ficava na minha franja e nos meus dedos. Disse que a frequência que eu mexia no celular era doentia. Disse que minhas crises de tpm eram terríveis e que pra completar vinham juntas com as da sua mãe. Disse que não aguentava mais o meu grito histérico no seu ouvido e minhas vontades loucas do nada.
Você sempre elogiou esse meu jeito idiota, nunca ligou pro meu cigarro e pras minhas crises de tpm, porque justo agora, quando eu mais precisava, quando eu me apeguei de verdade, você decide enjoar? Não podia esperar um ou dois séculos pra isso? Tinha que ser justamente agora? 
Mas tudo bem, eu respeito a sua decisão, só não entendo o motivo de me deixar. Cansou do meu jeito? Pois saiba que eu também cansei do seu! Você só quer saber de festas, bebidas, amigos. Não aguento mais as suas músicas também, o jeito como você só sabe falar de futebol, carros e o próximo whisky caro que vai comprar, o seu perfume francês/italiano ou sei lá o que, não aguento seus pijaminhas e aquela sua camisa laranja listrada que te faz parecer um presidiário e pra sua informação não aguento e nunca aguentei a decoração antiquada do seu quarto.
Então faremos assim, você segue ai exalando perfume de alguma nacionalidade e eu sigo com a minha loucura, pouca, muita, não importa. Cresci assim e não é por um cara que usa camisa listrada laranja que vou mudar.
OBS.: Odeio também todas as outras roupas que você usa. Brega, brega, brega!

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